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Correr com endometriose: o que ninguém vê nas fotos da corrida

Eu amo correr!


Me apaixonei pela corrida em 2022 e, de lá pra cá, ela faz parte da minha rotina. Mas eu também sou portadora de endometriose. E isso muda muita coisa na minha vida de corredora.

Tem dias em que o pós-treino vem com cólicas. E são cólicas incômodas, com aquela sensação de que está tudo inflamado. O abdômen fica estufado, dolorido. Como a endometriose é uma doença inflamatória, exercícios como a corrida podem aumentar a resposta inflamatória do corpo, o que, por vezes, acaba sendo um gatilho para o surgimento da dor.

Antes de correr, preciso ter atenção redobrada à alimentação. Preciso de alimentos que me tragam energia, mas que não sejam mais um gatilho para a inflamação da endometriose. Alimentos com glúten e lactose nem posso chegar perto. Não sou celíaca, nem intolerante à lactose, mas são alimentos que fermentam e me causam desconforto e estufamento abdominal durante ou depois da corrida. Na última semana, inventei de comer um pão de fermentação natural. No final do treino, já senti os incômodos e cheguei em casa cheia de cólicas.

A água de coco, por exemplo, que seria perfeita para me hidratar no dia anterior a uma prova importante ou depois de um treino em um dia seco e quente, também não posso. Ela é rica FODMAP e me traz sintomas quase imediatos. Uma vez, de férias na praia, saí para correr e no final, resolvi beber um coco na praia. Fiquei de cama com dores pelo resto do dia.
A melancia, que eu amo desde criança, refrescante, cheia de água… também me dá cólica pelo mesmo motivo.

Até a escolha de suplementos exige atenção. Muitos contêm ingredientes que fermentam no intestino e, para quem tem endometriose, isso pode significar mais dor e estufamento abdominal (que é extremamente incômodo!) Antes de testar qualquer coisa, tudo passa pela avaliação da minha nutri, Jana Caiado, que entende tudo de inflamação e endometriose e cuida para que eu sofra menos com os efeitos dessa doença tão traiçoeira.

Essa é a parte que não aparece nas fotos da corrida. Mas que faz parte da minha jornada: como corredora, mulher e portadora de uma doença ainda tão incompreendida.

E por que eu ainda corro?
Porque me faz bem. Porque minha saúde mental é outra depois da corrida. Porque me sinto mais focada, mais forte, mais presente no meu dia a dia.

Mas corro respeitando meu corpo, com escuta, com adaptação e com um cuidado que vai muito além do treino.

Se você também vive essa realidade, saiba que não está sozinha.
E que dá, sim, pra continuar correndo, mesmo com endometriose. Desde que com atenção aos sinais do seu corpo, com acompanhamento e com profissionais que te ajudem a sofrer menos com essa doença cheia de surpresas desagradáveis.



26/07/2025